Oi. Meu nome é Fernando, mas poderia ter sido Tancredo. Desculpa se alguém aqui ama — ou , Deus me livre, é — algum Tancredo. Deve ser difícil. Porém, dizem que não devemos dar valor a esses detalhes (
Pimienta no culo de los otros no arde. BARBERO, Martín.). Meu avô é Tancredo, acreditem, e ele teve a audácia de sugerir a minha mãe essa singela homenagem: “Aninha, põe o nome dele de Tancredo, põe”!?
Não lembro exatamente o nome do lugar para o qual ela mandou ele se dirigir, mas devia soar melhor que
Tancredo. Obrigado, mãe. Tenho pena daqueles que não tiveram a mesma sorte que eu, ter uma mãe de pulso firme e senso do absurdo — como o meu avô, por exemplo.
Dar nome é uma ação natural do nascimento. Tudo que nasce precisa de um nome. Não que eu, necessariamente, ache isso, mas é um fato. Gosto daquele pai que, rebelado, chamou os filhos de Fotocópia 1, Fotocópia 2, Fotocópia 3 e, enfim o caçula, Fotocópia 4. Esse sim se absteve do angustiante fardo de
dar nome. Nome de banda também é um caso delicado. Móveis Coloniais de Acaju faz você pensar o quê? Se você pensou em uma loja de móveis coloniais de acaju, tudo bem, eu também. NX Zero não é o mais novo modelo da Kawasaki, mas poderia ser. Existem também os mais excêntricos, tipo Beastie Boys, que significa apenas
Boys Entering Anarchistic States Toward Internal Excellence, ou se preferir, Rapazes Entrando em um Estado Anárquico Visando à Excelência Interna. Definitivamente,
dar nome é uma merda.
E já que dar nome é uma merda, vamos cagar um, gente? Vamos fazer força! Nossa confraria criativa está implorando por uma alcunha. Ela precisa saber se mija em pé ou sentada, e aproveitando que o primeiro tema é o
Nascimento, melhor momento não há. Vamos usar a criatividade, ser simples ou ousado, complexo ou debochado; vamos romper esse himem que nos separa do iluminado mundo artístico do anonimato criativo. Vamos batizar o fruto desse swing de idéias o qual estamos instigados a consumar. Mas, por favor, nem pensem em Tancredo.